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Title: [Evento] Varginha Anime Fest: Bate-Papo com o Dublador Leonardo Camillo
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Saudações! Conforme falei no meu post anterior trago a vocês um bate-papo com o dublador Leonardo Camillo! Vocês conhecem esse person...

Saudações!

Conforme falei no meu post anterior trago a vocês um bate-papo com o dublador Leonardo Camillo!

Vocês conhecem esse personagem?



Não? É...ele é bem antigo...

E esse?


Esse é antigo também, mas bastante famoso... não conhece também?

Tenho certeza que o próximo vocês conhecem é bem recente...

Paz interior... paz interior...
Bem, espero que alguns desses vocês tenham reconhecido, mas o fato é que todos esses personagens que mostrei e diversos, de animações e filmes, são dublados pelo Leonardo Camillo e tivemos a honra de conseguir conversar com ele algumas coisas bem interessantes, vamos conferir?

Leonardo durante a palestra com os presentes no Anime Fest
ENTREVISTA

Ville: Primeiramente, prazer em conhecê-lo. Eu vi recentemente que você dublou um personagem no Mortal Kombat X (ele dublou o Kotal Kahn), como foi essa experiência de dublar um jogo? Você já tinha dublado algum jogo antes?

Leonardo Camillo: O prazer é todo meu. É, eu já tinha feito alguma coisa, participações e tudo, é um mercado novo que há muitos anos se cobra no Brasil que os games eram todos original, então é um trabalho que abriu um mercado pra gente que é legal em termos de trabalho, agora assim que não acrescente muito artisticamente, eu acho, porque é frio, você vai mais pelo texto e não tem imagem, a gente não trabalha com imagem, quer dizer, é uma experiência legal, pra gente ver o resultado disso daí, agora o processo em si é meio chato, digamos assim.

V: Então a dublagem de jogos é bem mais simples que animações e filmes?

LC: É, os filmes você tem a referência de estar vendo a imagem, está vendo o personagem em ação, então você tem mais referência. Então é mais simples sim.

V: Voltando a falar do jogo, você disse na sua palestra que o dublador precisa ser também um ator e o fato do jogo ter sido muito criticado por ter chamado algumas pessoas que não são atores para dublar, você acha que para jogos ainda pode ser mais flexível ou você ainda acha que deve ser um dublador mesmo?

LC: Não, eu particularmente acho o seguinte, eu não vejo mal quando pegam por exemplo, Kung Fu Panda, o Kung Fu Panda do cinema, o primeira trabalho antes da série até, eram vários atores e chamaram alguns globais, alguns atores globais para fazer uma chamariz a mais no filme, eu acho que nesse aspecto não tem problema nenhum. 

O cara, primeiro, não é a atividade principal dele, então ele cobra normalmente um cachê, a gente trabalha por hora é outro segmento, então eu acho que só engrandece a dublagem você ter um trabalho de pessoas que estão mais na mídia ou celebridades, ou que o diga. Agora, não resta dúvida que a qualidade você não pode esperar tanto quanto o de profissionais que já estão fazendo isso sempre, principalmente quando você joga um game então pro cara fazer que ele fica mais vendido ainda, que é aquela pessoa que nunca fez, parece que nesse game teve aquele de uma banda de rock (Roger, do Ultraje a Rigor) e teve a Pitty que parece também que foi bastante criticado. 

Mas é isso, é o risco que os caras (da produtora) correm de pagar o cachê para um cara que tem um nome e na próxima ele provavelmente vai saber que não é bem por aí.

Jeeh: Falando um pouco em críticas assim nesse caso, como você recebe as críticas da dublagem brasileira? Que apesar de ser considerada pelos técnicos uma das melhores do mundo, o público não recebe muito bem.

LC: É, esse público ele é uma parcela do público. Porque assim como tem um público que não gosta de dublagem, acha que deve ser original, muito provavelmente ele sabe falar muito bem a língua, se for japonês ele sabe, se for inglês ele sabe, se for francês ele sabe, se for alemão ele sabe. 

Então as vezes é a pessoa que é um poliglota, então realmente não tem necessidade. Agora, de modo geral, hoje em dia a gente tem uma liberdade que é a seguinte, você tem direito de escolha, você pode pegar um filme e pode até botar dublado com legenda, ou tirar tudo, enfim, é uma livre escolha. Então eu acho que tem mercado para todos e tem público para todos. 

Depois do advento da TV a Cabo, passou muitos anos que a TV a Cabo quase faliu no país, porque eles não conseguiam vender a quantidade de canais e assinaturas, o tempo passou e vocês veem que agora começaram a dublar os filmes todos, então começou com o Telecine Pipoca, depois TNT, depois isso, depois aquilo, depois praticamente todo canal de TV a Cabo dubla alguma coisa, então isso foi descoberto porque eles viram que de fato existe um público muito grande, então esse público que não gosta, ótimo, parabéns, tem todo direito, mas temos que respeitar a grande maioria que não só gosta, como tem a necessidade de ter um filme dublado por questões de leitura e por uma série de outras coisas. 

Então eu acho que o democrático é você ter todas as opções; E só para finalizar esse assunto, na Europa, que é o 1º Mundo em relação a nós que somos "tupiniquins", lá qualquer lugar que você chegar, na Espanha, na Alemanha, em Portugal, na França, tudo é dublado. Ao contrário daqui que a maioria das coisas são originais, então é uma questão de conhecimento do que é dublagem, mas acho que isso está caindo, o pessoal curte muito dublagem, a minha página do Facebook está sempre bombando (link no fim do post), enfim, e respeito aqueles que gostam.

V: Eu percebo muito que muita gente avalia muito bem as animações dubladas, e muitas animações que foram dubladas são muito bem elogiadas. Eu mesmo recentemente escrevi um post pro site sobre o quanto da localização na hora de dublar entra nisso. Você mexe bastante bastante com essa parte de improvisar essas expressões que vem do original?

LC: Acontece, acontece. Por exemplo, o do Barney, aquele dinossauro roxo que eu faço a mais de quase 20 anos juntamente com Cavaleiros do Zodíaco, esse personagem ele tinha algumas especificações, por exemplo, com relação a voz, então eles chegaram a fazer teste no Brasil porque eles queria uma voz mais ou menos similar com o americano e tal, mas não tinha nada específico em termos de determinados chavões ou palavras ou frases e tal. Então eu peguei, eu tenho um irmão que já não está mais aqui com a gente, que tinha Síndrome de Down, ele gostava muito de brincar e falava assim "ah dju dju ah dju dju", tudo ele falava. Aí eu emprestei essa expressão dele e coloquei no Barney porque ele tinha uma expressão muito americana que era "ip ip dju" que ele pulava assim, então eu adaptei e joguei o "ah dju dju", foi uma homenagem ao meu irmão, ele adorou, vivia falando pra todo mundo. 

Então é isso, às vezes você consegue mesmo colocar coisas, imprimir coisas tuas no trabalho, você tem mais liberdade do que quando é uma obra mais fechada.

Ville: Bela homenagem, muito obrigado pela atenção. Valeu!

Leonardo Camillo: Obrigado vocês, valeu!

Então é isso pessoal, espero que tenham gostado, foi a nossa primeira experiência fazendo cobertura de eventos, achei demais bater um papo com uma pessoa que está envolvida nesse tipo de atividade que me agrada muito.

Segue os links que citei na entrevista.

* A página do Leonardo Camillo no Facebook:

* O Post que falo um pouco de localização é esse:

 
Abraços do Ville!

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